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_______Por
meio dos depoimentos a seguir,
o número 4 da Revista Acolhendo
a Alfabetização
nos Países de Língua
Portuguesa (ACOALFAplp) remete-nos
às experiências de
sala de aula onde o ensino do
português e da cultura lusófona
vêm permeados pelas relações
entre língua e sociedade.
Elissa Hanayama em “Depoimento
de um imigrante japonês
sobre seus primeiros anos de experiência
escolar no Brasil” relata
as lembranças de seu pai,
imigrante japonês, em uma
sala de alfabetização
em Alambari no interior de São
Paulo; Jaqueline Simões
analisa como a linguagem corporal
contribuiu para inclusão
de criança migrante nordestina
em sala de aula da metrópole,
São Paulo, em “A
experiência escolar de uma
criança nordestina em São
Paulo”; Gisele Gasparelo
Voltani, em “Daniel Pennac
na Sala de Leitura” também
nessa cidade, expõe como
motivar os alunos à leitura
prazerosa através de uma
relação livre com
livros, e Cristiane Casimiro em
“Teaching Portuguese as
foreign language in University
Malaya” testemunha como
ensinou português em Timor-Leste
e em Kuala Lumpur, sentindo-se
“cidadã do mundo”
em analogia a Fernando Pessoa:
A minha Pátria é
a Língua Portuguesa.
_______Núbia
Hanciau em sua entrevista esclarece
que a lusofonia pode avançar
no hemisfério norte através
das relações culturais
entre Brasil e Canadá,
incluindo aqui o ciberespaço
da revista ACOALFAplp, para oxigenar
a cultura hegemônica do
inglês, abrindo um universo
cultural plural.
_______No
artigo “Miguel Torga: uma
criatura de esperança”,
Maria da Conceição
Vaz Serra Pontes Cabrita apresenta
três obras de Miguel Torga,
cuja passagem pelo Brasil, Angola
e Moçambique teve paradeiro
em S. Martinho de Anta, “a
Agarez do seu imaginário”,
onde tolerância, solidariedade,
liberdade constituem para Torga
esperança de emancipação
do ser humano.
_______Edwin
O. Willis e Yoshika Oniki no artigo
“Aves seguidoras de correições
de formigas nas Américas
e África” descrevem
tais aves, desconhecidas pelas
populações “desenvolvidas”
que só conhecem o “bip-bip”
norte-americano, ignorando o jacu-estalo
que, nas florestas tropicais,
levanta a crista e a longa calda
e estala o bico na disputa com
as chocas, arapaçus e outras
espécies, ameaçadas
de extinção pelo
desmatamento.
_______No
artigo “Para o ensino da
ortografia na língua padrão”,
Sebastião Josué
Votre reúne estratégias
de utilização de
narrativas, poemas e palavras
cruzadas, ditados e frases, leitura
e análise de histórias
para superar a transcrição
fonética inicial, as práticas
visuais e os exercícios
motores e dar conta das relações
arbitrárias da ortografia
que escapam de qualquer sistematização.
_______Ana
Maria de Paula Siqueira em “Contos
de fada – uma experiência
no processo de alfabetização
com crianças e professores
das classes populares”,
investiga o desempenho de crianças
e professores nos usos sociais
da língua falada e escrita
através de discussão,
reflexão e análise
de atividades de sala de aula,
com o objetivo de repensar a prática.
_______No
trabalho “O telecurso brasileiro
em Timor-Leste: comunicação
sociocultural e educativa na educação
à distância”
Maria Inês Amarante trata
da aplicação do
telecurso brasileiro em Timor-Leste
e das dificuldades que a leitura
do material didático e
das imagens apresentou, indicando
a necessidade de sua adaptação
para a realidade daquele país.
_______Ana
Paula Cardoso e Marco Dias Pereira
em “Contributos do Ensino
Recorrente para o desenvolvimento
socioeducativo e económico
dos jovens e adultos: Um estudo
no concelho de Vila Nova de Paiva”
mostraram que a formação
recebida por jovens e adultos
no E.R. melhorou suas condições
de saúde, trabalho e renda,
que pelo aumento da consciência
cívica não se tornaram
meramente produtivistas.
_______Em
“Escritos de Educação”
por Pierre Bourdieu, Eduardo Tramontina
Cerqueira refere-se a vários
textos sobre Pierre Bourdieu que
apontam as desigualdades sociais,
e a discriminação
linguística na escola tradicional,
como causas do fracasso escolar
das camadas populares.
_______Marinaide
Lima de Queiroz Freitas e Tânia
Maria de Melo Moura, em “Processos
interativos em sala de aula de
jovens e adultos: a utilização
do livro didático em questão”,
verificaram que o livro didático
não é uma prática
constante, estando presentes na
sala de aula jornais e revistas,
cuja abordagem pela professora
com longa experiência, apesar
da formação municipal,
só se desenvolve trabalhando
a escrita de forma silábica.
_______Em
“A importância da
escolarização dos
filhos no processo de letramento
dos pais de uma comunidade rural”
Kelly Priscilla Lóddo Cezar,
Tatiane Oliveira - Silva e Geiva
Carolina Calsa mostram que o uso
social da leitura pelos alunos
com pais e familiares de ambiente
pouco letrado pode levá-los
à autonomia na compreensão
dos interesses pessoais e coletivos.
_______Anézio
Cláudio Bernardes no trabalho
“Alfabetização
e letramento: construindo saberes
essenciais” constatou que
a sala de aula e o contexto escolar
são pontos de partida viáveis
para a construção
e apropriação da
língua, da leitura e da
escrita por crianças das
classes populares.
_______Jean
Biarnès, em “Mundialização,
trabalho social e política
do sujeito”, tradução
de Nilce da Silva, Patrícia
Fridman e Cláudia Cascapera,
discute a missão dos trabalhadores
sociais (Programa EQUAL) para
inserção social
de jovens na França, onde
a construção do
sujeito se “faça
com” o sujeito e não
“para” o sujeito:
“Ser sujeito” é
poder, no presente, assumir a
perda de uma parte do passado
face ao ganho esperado do futuro.”
“Escrever sua história,
é ter a possibilidade de
trabalhar este processo e de criar,
de modo cada vez mais autônomo,
os laços entre todos estes
elementos internos e externos”.
_______Stella
Maris Bortoni-Ricardo, Cláudia
Schmeiske, Maria Alice Fernandes
de Sousa, Maria da Guia Taveiro
Silva, Maria do Rosário
Rocha Caxangá, Marli Vieira
Lins, no artigo “Raízes
Sociolingüísticas
do analfabetismo no Brasil”,
discutem as causas do fracasso
da alfabetização
no Brasil, comprovando com estatísticas,
que a taxa de alfabetização
deste país está
entre as mais baixas do mundo
devido à péssima
distribuição da
renda entre as classes sociais.
Concluem que uma política
eficiente de alfabetização
deve considerar a aplicação
de conceitos sociolingüísticos
para diminuição
das desigualdades sociais e para
a reflexão sobre a modalidade
oral e escrita da língua
e a análise da variação
lingüística dos textos
dos alfabetizandos.
_______Ao
encerrar a apresentação
deste número 4, junto com
a entrevistada Núbia Hanciau
convidamos os leitores a entrarem
no ciberespaço da revista
ACOALFAplp, “Acolhendo a
Alfabetização nos
Países de Língua
Portuguesa” para participar
da construção de
“um universo cultural plural,
múltiplo e heterogêneo”,
comprometido com a emancipação
de todas as pessoas.
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