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Alfabetização: desafios da prática alfabetizadora
Fundamentos da Educação e da Alfabetização  
Jacqueline de Fátima dos Santos MORAIS
Mairce da Silva ARAÚJO
 
Resumo
 
_______ Apesar de importantes pesquisas serem divulgadas nas últimas décadas sobre os múltiplos aspectos que contribuem para a produção do fracasso escolar na alfabetização, vimos reacender, recentemente, a defesa de que este problema relaciona-se fundamentalmente aos métodos utilizados pelas professoras. Dialogando com Freire e Morin, entre outros autores, continuamos a defender, no presente artigo, que precisamos ver com olhos menos reducionistas a alfabetização. Em nossas reflexões sobre a vivência cotidiana no mundo da escola, temos percebido que as aproximações entre o legado de Paulo Freire e a epistemologia da complexidade podem apontar novas pistas para a construção de práticas alfabetizadoras emancipatórias. Práticas que potencializem professores e professoras, alunos e alunas, a escreverem e dizerem suas próprias palavras, especialmente, em contextos históricos de exclusão e negação das diferenças culturais, como na sociedade brasileira. Trazendo situações do campo da pesquisa, o trabalho enfoca a multiplicidade de experiências com a linguagem escrita, que acontecem no cotidiano da escola, desvelando os ambientes alfabetizadores múltiplos e híbridos que compõem o cotidiano escolar. O desafio que hoje temos na escola é o de ver a leitura como algo mais que apenas soletrar a escrita, e vermos na escrita algo mais que a transcrição da fala. É preciso que nós, professores e professoras, nos apropriemos de referenciais teóricos que nos ajudem a olhar e ver de forma ampliada o processo de alfabetização. Não se trata de propor à professora um novo método de alfabetização, porém, trata-se de enfatizar a importância da reflexão coletiva e do permanente se prepara como condições básicas para o fortalecimento de uma prática alfabetizadora comprometida com as crianças das classes populares.
_______ Palavras-chave: alfabetização, cotidiano escolar, formação de professores.
Literacy: the challenges of its practice
Abstract
_______ In spite of the important researches made known in the last decades about the multiple aspects which contribute to the production of school failure in literacy, we have seen recently to be brought to light the connection of this problem to the teaching methods used by teachers. Based on a dialogue with Freire and Morin among others, we continue in this article, our defense of an urge to see literacy through less reducing point of view. In our reflections about the daily life in the school’s world we have noticed that the approach between Paulo Freire’s legacy and the epistemology of complexity may point out new clues to the construction of emancipating literacy practices. Such practices do bring power not only to teachers-to-be, but also to learners, as they write and express themselves, especially in historical contexts of exclusion and the denial of cultural differences in the Brazilian society. This work focuses, through situations of field research, on the multiplicity of experiences with the written language, which happen on the school’s daily life, revealing the hybrid and multiple literacy environments which are part of that daily life. The challenge we face at school nowadays is that of seeing the reading as more than a mere act of spelling, and seeing writing further than a speech transcript. We, teachers, have to take hold of theoretical references which help us look at and see the process of literacy from its broadest sense. It does not mean that we should propose to teachers a new literacy method, but focus on the importance of a collective reflection and on the permanent “get ready” as basic conditions for the strengthening of a literacy practice compromised with the working-class children.
_______ Index Terms: formation of teachers, literacy, school’s daily life.