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_______ Os
textos deste número da
“Revista Acolhendo a Alfabetização
nos Países de Língua
Portuguesa” – Moçambrás-
apesar da diversidade geográfica
da sua proveniência (África,
Américas e Europa), e,
conseqüentemente, da diversidade
cultural e das práticas
pedagógicas, mostram que
os diversos quadrantes do mundo
caminham na mesma direção:
a da edificação
de uma sociedade informada, inclusiva
e responsável. Uma sociedade
em que se valoriza o Homem como
agente transformador do mundo
em que vive independentemente
da sua condição
social. A valorização
do Homem passa necessariamente
pela sua educação/formação,
quer em contextos formais (por
exemplo, a escola), quer em contextos
informais (por exemplo, a comunidade
de que faz parte ou mesmo a família).
_______ Uma
leitura atenta dos textos deste
número deixa perceber a
premência de uma educação
eficaz que habilite o Homem à
mobilidade e à flexibilidade
socialmente impostas pela globalização
capitalista. Para tal, é
imperioso que as práticas
de alfabetização
não se restrinjam apenas
à aquisição
das habilidades de leitura e escrita.
É necessário que
essas práticas sejam socialmente
situadas, isto é, que estejam
firmadas no contexto ideológico
e cultural em que têm lugar,
constituindo-se como exercício
efetivo e competente da tecnologia
da escrita, possibilitando às
pessoas a capacidade de ler e
escrever para atingir a diferentes
objectivos.
_______ Contudo,
tais práticas de leitura
e da escrita, nas escolas ou noutros
contextos de ensino e de aprendizagem
nesta área específica,
ainda não têm o resultado
desejável. A título
de exemplo, em Moçambique,
foi uma consternação
geral ver, num dos canais de televisão,
meninos que estando no fim do
ensino primário do 1o grau
(5a classe) não sabiam
escrever direito o seu próprio
nome. Situação similar
é descrita no texto deste
número, cujo título
é “Ler e escrever
um direito de todos”, e
que chama a atenção
para a necessidade de uma identificação
e aplicação de alternativas
pedagógicas para eficaz
transmissão de conhecimentos
ligados à leitura e à
escrita – um direito universal.
É que nesta sociedade em
mudança, como se lê
no texto “Educar para outro
mundo possível diante dos
desafios colocados pela globalização
capitalista” se torna também
um desafio “construir um
outro perfil docente, uma outra
imagem, de um profissional que
tem que lidar com questões
metodológicas, com as teorias
e obras pedagógicas não
como um fim em si mesmas, mas,
sobretudo, como mediação
da relação dialógica
que se estabelece com os alunos”.
_______ Para
terminar, as abordagens deste
gênero, não só
no setor educacional, tornam os
cidadãos capazes de iniciativas
e de se adaptarem, rapidamente,
não só às
transformações sociais,
mas também às demandas
profissionais, capazes, por isso,
de, cotidianamente, assumirem
uma nova identidade. É
o que falta, por exemplo, em Cabo
Verde, onde se faz sentir a ausência
de políticas efetivas em
relação às
pessoas portadoras de deficiência
e uma falta de divulgação
de direitos legislados, como é
descrito no texto intitulado “Inclusão
social de pessoas com deficiência
em Cabo Verde – África”.
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