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Ministro Jorge Geraldi Kadri é diplomata, trabalhou nos setores comercial, econômico e cultural do Itamaraty, nas Embaixadas em Madri, Camberra e Assunção. Na Delegação do Brasil junto à ONU e à OMC, em Genebra (1999-2002), ocupou-se dos temas da Agenda do Desenvolvimento. Atualmente é Chefe da Divisão de Promoção da Língua Portuguesa.
 

Nilce da Silva: O que é a Divisão de Promoção da Língua Portuguesa (DPLP)?

 
Jorge G. Kadri: A DPLP pertence ao Departamento Cultural do Itamaraty, e tem por finalidade promover a língua portuguesa e a cultura brasileira por intermédio da Rede Brasileira de Ensino no Exterior, composta de 15 Centros de Estudos Brasileiros (CEBs), 8 Institutos Culturais, 43 leitorados e 4 Núcleos de Estudos Brasileiros (NEBs) em universidades estrangeiras, sistema que hoje atende a cerca de 25 mil alunos. Os Centros de Estudos Brasileiros são instituições diretamente subordinadas ao Chefe da Missão Diplomática, ou repartição consular do Brasil em cada país, constituindo o principal instrumento de execução da nossa política cultural no exterior. Os Institutos

Culturais, cujas atividades são semelhantes às dos CEBs, são entidades sem fins lucrativos, de direito privado, e, embora autônomas, cumprem missão cultural em coordenação com as Embaixadas e com os Consulados da jurisdição em que estão sediados. A rede de Leitorados e os NEBs reúnem professores especialistas em língua portuguesa, literatura e cultura brasileiras que trabalham junto a conceituadas universidades estrangeiras. A Rede Brasileira de Ensino no Exterior trabalha com iniciativas na área da educação, capacitação profissional, alfabetização de adultos e crianças, numa dimensão em que cultura, economia e política se somam. Desde a formação de estudantes até a cooperação educacional com outros países, busca-se ampliar ao máximo essa integração, de modo a consolidar e reforçar os laços com os países com os quais mantemos relações amigáveis. Nossos objetivos são, essencialmente: concorrer para a ampliação do número de falantes de português no mundo; aumentar o interesse pela implementação de programas de ensino da língua portuguesa no exterior; e fortalecer o multilingüismo com a presença do português. Como braço didático do Itamaraty, o êxito da referida Rede dependerá da nossa capacidade de reciclarmos professores e mantermos a Rede de Ensino abastecida de material didático atualizado.

 
NS: Há quanto tempo o senhor está à frente dos trabalhos da DPLP?
 
JGK: Encontro-me à frente da DPLP desde setembro de 2005. Entretanto, minha experiência na área cultural do Itamaraty remonta ao princípio de 2003, quando fui, por mais de dois anos, responsável pelos Setores Cultural e de Cooperação na Embaixada do Brasil, em Assunção. Gostei da última experiência na área cultural, tanto que aceitei convite para chefiar a DPLP. Em todo caso, durante os primeiros vinte anos da carreira, estive basicamente envolvido com temas econômicos e comerciais.
 
NS: Durante este período, qual (is) trabalho (os) lhe deu (ram) satisfação em realizar? Por quê?
 
JGK: Até em função do curto período à frente da DPLP, não foi ainda possível realizar um trabalho de envergadura, mais representativo. Na verdade, a satisfação que tenho encontrado decorre do trabalho como um todo, de poder atuar numa área considerada prioritária para a política externa, e que possibilita a boa parte da comunidade brasileira no exterior – hoje estimada em cerca de 3 milhões de pessoas - a oportunidade de manter e estreitar os laços com a cultura brasileira. Ademais, gradativamente - isso é positivo e reconfortante -, a promoção da cultura brasileira no exterior, em geral, e o ensino da língua portuguesa falada no Brasil, em particular, vêm-se firmando como política de Estado. Nessa linha, a perspectiva do que ainda pode ser realizado entusiasma.
 
NS: Neste contexto, o que ainda precisa ser feito?
 
JGK: Há muito por fazer, especialmente se nós compararmos as ações do DC/DPLP com as das demais entidades similares no mundo: Instituto Camões, Instituto Cervantes, British Council, Instituto Goethe, entre outros. O campo da atuação cultural do Brasil é vasto, não tem fronteira e, em princípio, se estende a todos os países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. Uma das ações essenciais, neste momento, é priorizar a promoção da língua portuguesa, falada no Brasil, no âmbito do MERCOSUL, e, em seguida, entre os demais países da América do Sul, nossas circunstâncias e realidades mais imediatas. Isso demanda trabalho, dedicação e vontade política, ou seja, regularidade nas ações, para lograr credibilidade; não se pode fazer política cultural de forma espasmódica. O fortalecimento da língua portuguesa nos PALOPs é outra prioridade da política externa brasileira. Nessa linha, estuda-se criar CEBs nos países lusófonos que ainda não dispõem desse importante instrumento de promoção cultural. Em terceiros países, onde o português é pouco difundido ou não é prioridade, Brasil e Portugal poderiam — e de fato isso já vem ocorrendo na China — somar forças, para assegurar a conquista de um espaço lingüístico condizente com a relevância histórica da língua portuguesa, tanto no meio acadêmico como na sociedade em geral, em benefício de toda a comunidade lusófona.
 
NS: Quais os planos da DPLP?
 
JGK: Há, naturalmente, que esperar, para verificar como se dará a liberação dos recursos previstos no orçamento de 2007. Muitas vezes há contingenciamentos, o que acaba por comprometer os nossos planos. No curto prazo, existe perspectiva de um aumento vigoroso no número de leitorados, bem como de abertura de novos CEBs, em países prioritários. Ainda no curto prazo — e de modo a examinar meios de melhor nos entrosarmos no que se refere à realização de projetos comuns e treinamento de professores —, para 2007, estão previstas três reuniões de coordenação, envolvendo Diretores de CEBs, Institutos Culturais e Professores na América Central, África e Europa. No médio prazo, trabalha-se com a idéia de valorizar as ações dos CEBs, incrementando sua vertente de promoção de eventos culturais. Já em 2006, a título experimental, os CEBs receberam recursos para esse fim, com resultados alentadores. No longo prazo, faz-se necessário dar continuidade à instrumentalização do Itamaraty – tanto em termos de pessoal como em termos de recursos financeiros –, para fazer frente aos desafios de manter e aumentar o interesse e a demanda, no exterior, pelo português falado no Brasil.
DPLP
Brasília, 08 ago. 2006.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Página atualizada em 07 de junho de 2009.