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    Abertura
_______“Caminhante não há caminho, o caminho se faz ao andar”, pensamento contido num dos poemas de António Machado, poeta espanhol, que bem pode traduzir a vontade e a finalidade de se estabelecer um espaço de partilha e diálogo entre professores e pesquisadores brasileiros e moçambicanos, com a esperança de que nele se integrem outros, vindos dos países que formam a constelação, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Este projeto ainda deve ser enriquecido e ampliado pela integração dos outros povos e das diversas culturas que integram a CPLP.
_______A problemática em torno da qual se pretende estabelecer esse espaço de partilha e diálogo é de extrema importância: a alfabetização, ferramenta fundamental para se fazer a leitura do mundo e para possibilitar a comunicação e entendimento entre povos e culturas.
_______Para nós, moçambicanos, a alfabetização ainda constitui um grande e complexo desafio. Não se trata apenas da mera aprendizagem da língua portuguesa por parte de adultos, jovens e crianças moçambicanos, mas de uma aprendizagem significativa, isto é, promovida desde e na complexidade cultural e lingüística que caracteriza a sociedade moçambicana. Se a língua portuguesa é um elemento importante para a unidade e identidade nacionais, e de comunicação internacional, a sua aprendizagem deve ser feita em diálogo com as outras línguas e culturas moçambicanas. Esta é uma condição fundamental para se consolidar e aprofundar a unidade nacional, em cujo seio possam dialogar e comunicar-se, sem complexos e em igualdade, as diversas culturas e línguas moçambicanas.
_______Por isso, a questão da alfabetização não é, para nós, um mero exercício técnico. Antes, a sua aprendizagem deve ser contextualizada e situada em diálogo com a multiplicidade das outras línguas, dos vários falares e das diversas visões de mundo. Entendemos, assim, que a concepção, a finalidade e a metodologia da alfabetização constituem uma problemática perpassada por fatores sócio-históricos e antropológicos que devem ser objeto das nossas pesquisas e propostas educativas.
_______Para fazer face a este desafio, não estamos sós. A abertura e o diálogo sobre esta problemática com pesquisadores dos outros quadrantes da CPLP representam uma possibilidade de se abrirem caminhos, até agora não desbravados.
_______Só nos resta assegurar que este seja um espaço de intercâmbio democrático, dialógico entre professores, pesquisadores e outros agentes da CPLP, comprometidos em fazer da “educação uma base para o povo tomar o poder” (Samora Machel).
 Prof. Doutor Miguel Buendia
     
 
 
 
 
 
 
 
Página atualizada em 25 de julho de 2010.